quinta-feira, 1 de outubro de 2015

JEOVÁ SANTANA

Por: Allan de Oliveira.
allantbo@hotmail.com


Fonte da foto: Inventário de Ranhuras.

Jeová Silva Santana nasceu em Aracaju em 17 de outubro de 1961, sendo filho de José de Santana e Dona Luzinete Silva Santana. É graduado em Letras Vernáculas pela UFS, mestre em Teoria Literária pela Universidade Estadual de Campinas e doutor em Educação pela P.U.C.

Ganhou prêmios literários de Primeiro Lugar em 1984 e 1986 no Concurso de Literatura da Universidade Federal de Sergipe, bem como no I e II Concurso de Poesia pela Secretaria Municipal de Cultura do Estado de Sergipe em 1986 e 1987 em que os poemas foram classificados entre os dez melhores, bem como o Prêmio Banese de Literatura, além de ter sido homenageado no IX Prêmio Tobias Barreto de Poesia.

Suas influências para escrever se deram, a princípio, no Bairro Santo Antônio e a famosa “Rua da Frente” (Av. Ivo do Prado). Posteriormente, teve como cenário das influências, o metrô de São Paulo.
  
O escritor Jeová Santana escreve prosa e poesia, autor das obras Dentro da Casca, A Ossatura, Inventário de Ranhuras, Poemas Passageiros, além de ter publicações em jornais e revistas.

Trabalha como professor na rede Estadual de Sergipe e na Fundação Universidade Estadual de Alagoas. Apresentava de um programa, “Mestres e Músicas”, na rádio Aperipê FM, além de ter sido colunista em alguns jornais como o antigo “Jornal da Manhã” e “Cinform”.


OBRAS:

Contos:

Dentro da Casca (1993)

A Ossatura (2002)

Inventário de Ranhuras (2006)

Poemas:

Poemas Passageiros (2011)
  

UM AMOR NO MARCOS FREIRE III

Sábado, quase oito da noite, terminal do D.I.A. Maior galera esperando o 030. Ela, de lado. Ele com o menino mais novo escanchando no braço. O mais velho fica beirando. Pintou a bronca: “Acha pouco eu com esse peso todo e você ainda vem se encostar!”. Ela não disse nada. O ônibus chegou. Pela demora, teve até aplausos. Empurra-empurra na porta traseira. Uma gritou: “Como vou subir com vocês me apertando?”. Na hora da partida soa o “para, para!”. Uma velhinha diz que pegou errado e desce falando “sangue de Jesus tem poder!”. Finalmente a caminho. Um guri em cada colo. Visitar a sogra, esse suplício. No percurso algumas imagens: quatro funcionários de uma funerária matando uma pizza no capô do carro. Uns guris cheirando cola numa boa. Uma maluca dançando sozinha num bar. Uma gorda metendo o dedo na cara de um casal. Um velho com um buquê. Um cachorro com três pernas. Um bando de “tudo-é-pecado”, com suas saias longas, saindo da Igreja Remanescente Lírio do Vale. Um engravatado, num carrão massa, saindo do beco da maconha. Uns caras jogando futevôlei. Boas vidas!

De manhã, ela estendeu o braço e encontrou o vazio. Na mesa da sala, o bilhete: “Tô caindo fora. Você é muito longe!”.

Antes assim, do que fazer como um da outra rua, que encheu de pregos de madeira para ser maior o estrago na cara da infeliz. Toda pinicada! Um trabalhão pros caras do IML.

In: Inventário de Ranhuras (2006)


CERTAS PALAVRAS

Palavras duras

duram na memória

Seu talho é fundo

qual faca no peixe

Palavras duras

ferem sem piedade

Até os poetas

lidam mal com elas

Palavras duras

o vento não leva

Palavras escritas

doem na vista

Palavras duras

devem ficar no cofre

O preço da desdita

só sabe quem sofre

Palavras duras

em ouças delicadas

São tão doídas

feito marradas

Palavras duras

não têm medidas

Ditas de chofre

desmantelam vidas

In: Poemas Passageiros (2011)


REFERÊNCIAS:

BIOGRAFIA - ESCRITOR SERGIPANO JEOVÁ SANTANA.

POESIA SERGIPANA - Brasília, 1988 - Antologia org. por José Olyntho e Márcia Maria.

SANTANA, Jeová. Inventário de Ranhuras. Brasília. LGE Editora, 2006.

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