quarta-feira, 12 de agosto de 2015

SANTO SOUZA: Um poeta órfico em Sergipe ¹


(Foto: Acervo pessoal da Família Santo Souza)



INTRODUÇÃO

O presente trabalho pretende direcionar os acadêmicos do Curso de Letras sobre a importância de resgatar a cultura sergipana através da valorização de poetas consagrados em nosso Estado a fim de conhecer suas obras e a relevância das mesmas para a nossa cultura.

O trabalho foi dividido em três partes: a primeira refere-se a uma pesquisa de campo realizada na Academia Sergipana de Letras; a segunda destina-se a entrevista com o poeta Santos Souza e por fim pesquisas bibliográficas. A pesquisa de campo teve como colaborador Dr. Pascoal, advogado e acadêmico da citada instituição que nos proporcionou conhecer sobre importantes informações a respeito do poeta Santo Souza, sua contribuição para a academia sergipana de letras e alguns segredos de suas obras.

A segunda parte do trabalho foi realizada na tarde de 01 de junho de 2013, onde grupo compareceu à residência do poeta Santo Souza, sendo coordenado por sua neta Ilmara Cristina Souza, jornalista e também acadêmica da Academia Sergipana de Letras que nos dera importantes informações nos proporcionando uma maior abrangência a este trabalho.

O poeta pouco disposto, embora muito lúcido, nos recebeu com uma imensa alegria. Era possível perceber no momento de sua fala o lacrimejar dos olhos por está diante de jovens dispostos a conhecer um pouco da cultura do seu Estado. No primeiro momento o poeta tímido falou sobre sua infância, seus trabalhos e a indignação em perceber o grande número de crianças que não são escolarizadas e a falta de apoio dos governantes aos que buscam preservar a cultura, logo depois falou sobre suas obras, seus prêmios, seus amigos, seus amores e recitou alguns poemas.

A terceira parte foi destinada as pesquisas bibliográficas que nos favoreceu algumas informações contidas em suas obras, as críticas destinadas a esse autor, a relevância do mesmo fora do Estado, a sua contribuição para a literatura brasileira e o trabalho de outros autores que teve como referência o poeta, Santos Souza.

SANTO SOUZA – BIOGRAFIA

José dos Santos Souza nasceu em 27 de janeiro de 1919 no município de Riachuelo no Estado de Sergipe. Filho da arrumadeira, Dona Hermínia “Filhinha”, uma mãe solteira e descendente de escravos, que deu a luz a ele na casa dos patrões.

Com seis anos de idade, Santo Souza começou a trabalhar na área de farmácia.

Estudou até a 3ª série, se tornando um autodidata com um vasto conhecimento tais como aritmética, história, psicologia, esoterismo, línguas como latim, hebraico, grego, etc, procurando estudar sobre tudo.

É considerado um dos maiores poetas do Estado de Sergipe e do país e suas influências literárias, segundo ele, não tem influências diretas de coisa alguma. Sua cultura se concretizou através da descoberta sobre a cultura de vários países, principalmente, a Grécia.

Para ele a poesia é algo que não pode ser explicada por ela nascer com o indivíduo. Essa sua afirmação se dá pelo fato dele ter começado a escrever pequenos versos com 10 anos de idade com a pouca instrução que tinha.

Santo Souza residiu em Riachuelo até os 17 anos trabalhando em farmácia, e em Aracaju, continuando a trabalhar na área onde aprendeu a manipular medicamentos com o mesmo dom de produção de poemas.

Aos 15 anos estudou música, e por ter sido expert em aritmética, aprendeu a tocar em três meses, compondo para clarineta algumas valsas para a namorada.

O poeta conheceu diretamente importantes poetas brasileiros como Mário de Andrade e Carlos Drummond de Andrade. É membro da Academia Sergipana de Letras, ocupando a cadeira de número 03, cujo patrono é Fausto de Aguiar Cardoso, e o fundador é Cleômedes Campos de Oliveira. Foi também membro efetivo da Associação Sergipana de Imprensa, e Membro Correspondente da Academia Paulista de Letras.

Entre os poetas sergipanos, Santo Souza é o poeta com maior número de obras e sua poesia é fundamentada no orfismo, corrente que trata de temas sacros, o bem e o mal contidos na natureza humana. Através dessa corrente, percebe-se que sua poesia busca mostrar as condições humanas, as divindades e os heróis mitológicos, criando, assim, um elo entre o passado e o presente em que o poeta se torna um intérprete do futuro.

No Brasil houve poucos seguidores do Orfismo, e, pelo que se sabe, além do poeta em estudo, houve também o poeta Cyro Pimentel do Estado de São Paulo.

Jackson da Silva Lima, importante historiador da literatura sergipana, considera a poesia de Santo Souza como filosófica, comparando-o a importantes escritores como Fernando Pessoa, Rilke, Valéry, Eliot, buscando dá uma visão sobre o homem através dos tempos e da história.

As obras de Santo Souza foram lançadas, principalmente, pelo Estado de Sergipe. E através de José Augusto Garcez, criador do Movimento Cultural de Sergipe, este se tornou o encarregado de distribuir seus livros pelo Brasil, tornando-o conhecido, especialmente em São Paulo.

A primeira obra de Santo Souza, Cidade Subterrânea, lançada no ano de 1953, fora muito bem recebida por um grande crítico literário da época, Luís da Câmara Cascudo, que inclusive, produziu o seu prefácio.

Durante o Regime Militar a obra Pássaro de Pedra e Sono fora censurada e o livro Decreto Lei Nº 13 que haveria um lançamento na Bahia não pôde ser realizado por conter ideias subversivas. Mas, felizmente, não houve problemas maiores com o escritor.

Santo Souza recebeu inúmeras condecorações e premiações pelo Estado de Sergipe, e em dezembro de 1995, ele ganhou um prêmio literário pela APCA (Associação Paulista de Críticos e Arte).

Através de informações coletadas na obra A Construção do Espanto, décimo segundo livro do autor, lançado no ano de 1998, no capítulo “Opiniões sobre o autor”, que trata da análise das principais obras de Santo Souza, além de vários comentários que o elogiam, fora notado alguns detalhes quanto suas obras. Esses detalhes são referentes, principalmente, às obras, Cidade Subterrânea e Ode Órfica.

Em Cidade Subterrânea, de acordo com Luís da Câmara Cascudo em seu prefácio, revela que na obra está contida a ideia de maldições divinas, vividas por uma sociedade que sofre um cataclisma, mas que aguarda por esperanças.

Ode Órfica, quatro livro do autor, considerado o principal, e lançado em 1956, de acordo com comentário de Sérgio Millet, considera a obra como uma meditação sobre os mistérios da vida, bem como a desilusão dos homens. Nelson de Araújo reforça a ideia, considerando Ode Órfica como o canto moderno dos homens.

De acordo com Luís Antônio Barreto no livro A Construção do Espanto, sua obra está dirigida para questionamentos essenciais da vida humana, retratando um pouco o nordeste, o canto do povo sem destino, o grito do negro escravo. O crítico sergipano ainda o considera como um poeta da cosmovisão, espécie de mediador entre o céu e a terra, e sua obra A Construção do Espanto pode ser considerada como sendo um desfecho das demais obras por está sendo refletida a aventura humana entre deuses, demônios e presságios.

Hoje Santo Souza reside na capital de Sergipe, Aracaju, tendo 94 anos, um pouco debilitado, que o fez encerrar com suas atividades artísticas para se dedicar, exclusivamente, à sua família e à leitura de jornais, revistas e livros.

Ao perguntar a ele o motivo pelo qual não mais escreve, ele afirma que foram os deuses que o mandaram parar.

A grande importância desse poeta que não pode ser esquecido deu ao município de Riachuelo uma escola que leva seu nome, Escola Municipal Santo Souza, bem como a obra Deus Ensanguentado de 2008, que houve versão em espanhol, e um livro em linguagem simples que ajuda a compreender seus poemas, Esboço para uma análise do significado da obra poética de Santo Souza, da escritora Gizelda Morais.

O presente texto se finaliza com uma importante citação de Luiz Antonio Barreto contida na obra A Construção do Espanto: “Santo Souza é um poeta de Sergipe, mas também o é do Brasil e da língua, com sua obra órfica, mas, também, com a vastidão do toque cotidiano, da vida, do ser, da beleza e da reflexão diante do mundo pulsante de todos os dias, como se a poesia fosse uma crônica, a inventar e reinventar a realidade”. (SOUZA p. 129)

OBRAS:

·        Cidade Subterrânea (1953) (com prefácio de Câmara Cascudo)

·        Caderno de Elegias (1954)

·        Relíquias (1955)

·        Ode Órfica (1956)

·        Pássaro de Pedra e Sono (1964)

·        Oito Poemas Densos (1964)

·        Concerto e Arquitetura (1974)

·        Pentáculo do Medo (1980)

·        A Ode e o Medo (1988)

·        Obra Escolhida (1989)

·        Âncoras de Arco (1994)

·        A Construção do Espanto (1998)

·        Rosa de Fogo e Lágrima (2004)

·        Réquiem para Orféu (2005)

·        Deus Ensanguentado (2008)

·        Crepúsculo de Esplendores (2010)


REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS:

http://www.antoniomiranda.com.br/poesia_brasis/sergipe/santos_souza.html

http://pt.wikipedia.org/wiki/Santo_Souza

PROJETO SANTO SOUZA: um poeta órfico. Produção de Ilmara Cristina, Gleydiomar Souza, e Alessandra Gama. Orientado por Edilson Moura. Sergipe, 1998. Disponível em: <http://www.youtube.com/watch?v=wZm4-fnaFDY>. Acesso em: 01 jun. 2013.

SOUZA, Santo. A Construção do Espanto. Aracaju. Sociedade Editorial de Sergipe, 1998.



________________________________

¹ Trabalho apresentado pelos acadêmicos, Allan Tenório Bastos de Oliveira, Corália Cirilo Santos, Edione Oliveira, Gicélia Souza, Géssica Ramiro, Márcia Mendes, e Vanessa Reis, do Curso de Letras-Português da Faculdade São Luís de França, como requisito para avaliação da disciplina Optativa II – Expoentes da Literatura Sergipana, ministrada pelo Prof. José Costa Almeida.




segunda-feira, 10 de agosto de 2015

LANÇAMENTO DO LIVRO “DOR E REDENÇÃO” DE STEPHANE LOUREIRO




A advogada Dra. Stephane Loureiro estará lançando o seu Romance “Dor e Redenção” cujo foco é centrado no perdão como forma de levar os seres humanos ao recomeço. O evento de lançamento do livro ocorrerá na sede da OAB / SE na sexta-feira, 14 de agosto, deste ano e se iniciará às 18:30h.


PARTICIPAÇÃO NO PROGRAMA DE OLHO NA CIDADE


Por: Allan de Oliveira.

Contato: allantbo@hotmail.com

O blog Literatura Sergipana tem a honra de parabenizar a Rádio Atalaia e a Rádio Aperipê por ter aberto espaço para a divulgação e reconhecimento do modesto trabalho presente neste blog. Um abraço a Dona Lígia, Glória Nascimento, Aécio Tavares, ambos da Rádio Atalaia. Um abraço ao Prof. Everton, e Feijão, da Rádio Aperipê, e, principalmente, ao amigo Marcos Luduvice, apresentador dos Programas de Olho na Cidade (Rádio Atalaia) e Clube do Amigo (Rádio Aperipê). Um homem com senso solidário e grande incentivador.

(Foto: Andrey Tenório)

Com Marcos Luduvice no Programa de Olho na Cidade da Rádio Atalaia AM 770 que acontece às sextas-feiras das 18 às 19h.

(Foto: Andrey Tenório)

Recebendo o certificado de Amigo da Imprensa 2015 no Programa de Olho na Cidade apresentado por Marcos Luduvice da Rádio Atalaia AM 770, sendo entregue por Glória Nascimento pelas pesquisas realizadas neste blog e participação no citado programa. Momentos de grande emoção!