quarta-feira, 16 de outubro de 2013

GIZELDA MORAIS

Por: Allan de Oliveira.
Contato: allantbo@hotmail.com

Fonte da foto: http://rebra.org/escritora/escritora_ptbr.php?id=1073

         Gizelda Santana de Morais nasceu no município de Campo do Brito em Sergipe no ano de 1939, sendo filha de Antônio Dórea Morais e Maria Pureza Morais. Aprendeu a ler na cidade de Tobias Barreto através de literatura de cordel que ela sempre comprava a um vendedor de livretos que tinha uma barraca. A partir daí, a renomada escritora passou a ler Romances e poesias, tornando um hábito para ela um hábito a partir dos 8 e 9 anos.

Seus primeiros poemas foram escritos, primeiramente, quando Gizelda Morais estava com 12 anos. Estudou o Ensino Fundamental e Médio no Estado em que nasceu, fez o ginásio no Colégio Nossa Senhora de Lourdes, e lá a chamavam para fazer poesias. Porém, ela afirma que poesia por encomenda não é muito bom, mas só é bom quando temos vontade para fazer. Ao estudar no Colégio Estadual Tobias Barreto, ela mantinha algumas colunas em jornais como A Gazeta de Sergipe, Correio. E nessa época, estudando ainda no Colégio Estadual Tobias Barreto é quando o Movimento Cultural de Sergipe publicou o seu primeiro livro de poesias. Depois cursou Filosofia em Belo Horizonte, e, posteriormente, foi morar em Salvador, concluindo o Curso de Filosofia e também de Psicologia. Fez também Mestrado em Psicologia na USP e, posteriormente, cursou o Doutorado e Pós-Doutorado na França. É membro da Academia Sergipana de Letras.

Trabalhou como professora na Universidade Federal de Sergipe, Bahia, Rio Grande do Norte, Rio Grande do Sul, além de ter sido participante de movimentos culturais, sendo secretária regional e conselheira em órgãos nacionais como CFE, CNPq, CAPES, INEP e SBPC, além de ter lecionado na Universidade de Nice, na França.

Seu primeiro livro com poesias, Rosa do Tempo, fora lançado quando a autora tinha apenas 18 anos de idade, sendo publicado pelo Movimento Cultural de Sergipe (MCS). Sendo uma das criadoras do Clube Sergipano de Poesia.

No ano de 1959, ao ter participado do Concurso Universitário de Poesia em Belo Horizonte, teve a colocação de primeiro lugar.

Quanto a sua dedicação aos Romances, isso só ocorreu de forma mais intensa quando ela se aposentara.

IBIRADIÔ E PREPAREM OS AGOGÔS
          Os seus Romances, Ibiradiô: As várias faces da moeda, e Preparem os Agogôs, a autora afirma que ambos os livros tratam da história de Sergipe. O primeiro do extermínio dos índios. O segundo das relações entre escravos e senhores de engenho. E esses livros para a autora são considerados históricos e uma dívida que ela tinha com essas temáticas.
O intuito dela ter escrito o Romance Preparem os Agogôs seria para que a sociedade sergipana tomasse consciência da miscigenação, bem como a contribuição dos povos originários (povos indígenas) e dos africanos com relação à cultura brasileira.
  
FALECIMENTO

Sofrendo de problemas de saúde, a escritora faleceu em 15 de agosto de 2015 aos 76 anos de idade e seu corpo foi sepultado no Cemitério Colina da Saudade.


OBRAS¹

Contos:

* Contos (2004)

Poesias:

* Rosa do Tempo (1958);

* Baladas do Inútil Silêncio (1964);

* Acaso (1975);

* Verdeoutono (1982);

* Cantos ao Parapitinga (1991);

* Poemas de Amar (1995) [Em parceria com Núbia Marques e Carmelita Fontes];

Coletâneas:

* Palavra de Mulher (1979),

* Aperitivo Poético (1986);

* NORdestinos (1994) [Lançado em Lisboa].
  
Ensaios literários:

* Esboço para uma análise do significado da obra poética de Santo Souza (1996).

Pedagogia:

* Pesquisa e Realidade de 1º Grau (1980).

Romances:

* Jane Brasil (1990)

* Ibiradiô: As várias faces da moeda (1990) [Lançado também na França]

* Preparem os Agogôs (1997)

* Absolvo e Condeno (2000)

* Feliz Aventureiro (2001)

* A procura de Jane (2010)

  
PARTIDA PARA O ETERNO

O carro vinha, vinha devagarinho
fúnebre carro, lúgubre.
A chuva caía fina, incessante caía.
Gotejavam nos lenços as lágrimas do céu
gotejavam nos lenços as lágrimas dos homens.
E ele partia imóvel, calmo;
Criaturas ficavam, moviam-se tristes, choravam...
Os olhos inchados, parados, sem dizer palavras,
porque elas não valiam.
Corações, pobres corações!
Se houvesse um coração de penas conformado!
Se houvesse um coração só feito de saudade!
Saudade ver partir sem dizer nada.
Coração de esperança, apenas, noutro encontro.
E o carro partiu, partiu devagarinho,
as gotas da chuva tombando na terra, nos homens.
E ele partia imóvel, calmo, para a eterna viagem,
eterna eternidade.
Criaturas ficavam sentidas,
criaturas ficavam na luta da vida.

O HOMEM E O MUNDO

o homem vai    
o homem vem
o mundo é o mesmo
o homem não
atrás da cortina
a luz se apaga
o homem se gasta
e o mundo não.

o homem prossegue
a música toca
o homem a escuta
e o mundo não.

no fundo das redes
os peixes repousam
o mundo descansa
e o homem não.

as fontes renascem
as rosas fenecem
o homem contempla
e o mundo não.

a noite é escura
o sol faz o dia
o mundo é cativo
e o homem não
o homem é vivido
o homem é passivo
o homem é lembrança
e o mundo não.

as pedras não falam
os ventos não gemem
o mundo se cala
e o homem não.

o espelho reflete
reflete e não vê
o homem é o mundo
e o mundo não.

E CONTINUAREI...

E continuarei
transpondo abismos,
palmilhando estradas,
sangrando os pés nos caminhos da vida.

E continuarei
pelos vales sombrios,
por estreitos valados,
sobre areias ferventes de desertos perdidos.

E continuarei
passando ao lado
da grande multidão
que olha, que escuta, que comenta
os passos agitados
que pisam pelo chão.

Mas continuarei
sorrindo, chorando,
caindo e levantando.
Continuarei
e chegarei assim,
não sei se arrependida,
triste ou satisfeita,
ao ponto terminal

da trilha em que vivi. 

__________________________
¹ Além de poesias e Romances, Gizelda Morais também publicou vários trabalhos científicos em livros e revistas especializadas.




REFERÊNCIAS:
               
Antônio Miranda – GIZELDA SANTANA DE MORAIS. Disponível em: <http://www.antoniomiranda.com.br/poesia_brasis/sergipe/gizelda_santana_de_morais.html>. Acesso em: 10 de set. de 2013.

Estante Virtual. Disponível em: http://www.estantevirtual.com.br/qau/morais-gizelda. Acesso em: 12 de set. de 2013.

Entrevista com Gizelda Morais. Disponível em: <http://www.youtube.com/watch?v=OZvJEIoWKnE>. Acesso em 16 de out. de 2013.

Infonet – Morre a escritora sergipana Gizelda Moraes – Por Aisla Vasconcelos. Disponível em: <http://www.infonet.com.br/cidade/ler.asp?id=176314>. Acesso em: 25 ago. 2015.

REBRA – Rede de Escritoras Brasileiras: Gizelda Morais. Disponível em: <http://rebra.org/escritora/escritora_ptbr.php?id=1073>. Acesso em: 10 de set. de 2013.

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