segunda-feira, 9 de setembro de 2013

AMANDO FONTES: “Um mestre nos Romances Sociais”

Por: Allan de Oliveira.
Contato: allantbo@hotmail.com





Biografia

Amando Fontes nasceu em Santos (SP) no dia 15 de maio de 1899. É de família sergipana, e chegou a Sergipe com cinco meses de idade quando seu pai falecera. Aos doze anos revelou sua tendência para as letras e aos 18 ele já possuía um grande conhecimento literário. Cultivou da prosa e da poesia, foi crítico literário, destacando-se com seus “Romances Sociais” que mostram os problemas das classes desprivilegiadas. Trabalhou como revisor de imposto, advogado, professor de Língua Portuguesa e Deputado Federal do Estado de Sergipe por três vezes. Frequentou a Roda Literária do Rio de Janeiro que ocorria em volta de Jackson de Figueiredo, sendo influenciado por Garcia Rosa. E quando fora à Bahia frequentou o grupo de Arthur de Sales e Carlos Chiachio.

Ao escrever sua primeira obra, Os Corumbas no ano de 1933, o Romance foi bem aceito pela crítica, chegando a ganhar o “Prêmio Felipe de Oliveira de Literatura”, além de ter recebido muitos elogios do escritor Mário de Andrade.

Amando Fontes faleceu no dia 01 de dezembro de 1967.

Visão crítica

Amando Fontes se influenciou por importantes escritores como Gustave Flaubert, Balzac, Fiodor Dostoievski, Machado de Assis, Lima Barreto e outros importantes ícones literários. Foi um autor que teve contato com as pessoas simples do povo e presenciou o êxodo de retirantes do sertão para a cidade, bem como as condições precárias dessas pessoas que enfrentavam a seca e a busca por uma vida melhor nos grandes centros urbanos; bem como as más condições vitais que levaram essas pessoas a falecerem, a se submeter à exploração das indústrias, e à prostituição por parte de algumas mulheres. Assim, os seus personagens não passam de pessoas simples e sofridas das camadas populares e marginalizados pela sociedade.

As suas obras fazem parte do Modernismo da década de 30 e elas ajudam a entender de forma histórica a vida dos sergipanos no princípio do século XX. E sua importância é notada também através de comentários sobre seus personagens em importantes revistas brasileiras da sua época, comparada a de grandes ícones do Modernismo brasileiro como Jorge Amado, José Lins do Rego, Raquel de Queiroz e Graciliano Ramos, por ele ter cultivado do regionalismo de forma similar a desses autores.

Em seus Romances são retratados a cultura das pessoas nascidas em Aracaju / SE, bem como cenas de fábricas e as “casas de luz vermelhas” (casas de prostituição). A linguagem das obras contém simplicidade e isso é um fato comum nessa época para que a linguagem escrita se assemelhe à fala cotidiana do povo.

“No “Os Corumbas”, o cotidiano dos personagens é inspirado nas fábricas que realmente existiriam em Aracaju, como também nas greves operárias, nas mortes dentro das fábricas e nos abusos dos industriais. Em “Rua do Siriri”, a narrativa começa com a indignação das prostitutas, pois tinham sido empurradas, pelo governo do Estado, para a famosa zona do Siriri – um lugar que realmente existiu”. (In: Jornal da Grande Aracaju – Amando Fontes e a sua contribuição para a cultura sergipana. Disponível em: http://www.grandearacaju.com.br/conteudo.ler.php?cat=17&id=5373).

Percebe-se que em sua obra Os Corumbas há uma luta do movimento proletário que se envolvera com as ideias comunistas para a busca de condições melhores de trabalho.

Já em Rua do Siriri há relatos sobre as más condições de vida das mulheres que eram obrigadas a se prostituírem.

A pretensão desse escritor era mostrar a vida de personagens de forma verdadeira como a vida real mostra, colocando em pauta assuntos como a mediocridade humana e suas ações negativas. É por isso que ele bebera da fonte do Realismo e do Naturalismo para construir a sua literatura Moderna, e procura denunciar a sociedade da época.


Através destes pequenos comentários, nota-se que a obra de Amando Fontes, além de literária, contém uma visão sociológica com relação às camadas populares, e se aproxima do pensamento de grandes homens como Sílvio Romero, Manuel Bomfim, Euclides da Cunha, entre outros ícones da literatura brasileira e universal.


OBRAS:

* Os Corumbas (1933)


* Rua do Siriri (1937)


REFERÊNCIAS:

Biblioteca Digital da UNICAMP – Imagens do Povo: Política e literatura na obra de Amando Fontes. Por: Cleverton Barros de Lima. Disponível em: <http://www.bibliotecadigital.unicamp.br/document/?code=000777805>. Acesso em: 09 de set. de 2013.

Jornal da Grande Aracaju – Amando Fontes e a sua contribuição para a cultura sergipana. Disponível em: <http://www.grandearacaju.com.br/conteudo.ler.php?cat=17&id=5373>. Acesso em: 09 de set. de 2013.

Mandacaru Florido – Literatura Sergipana: Acervo sobre Amando Fontes montar loja de roupas. Disponível em: <http://joseanafonseca.blogspot.com.br/p/amando-fontes.html>. Acesso em: 09 de set. de 2013.

domingo, 1 de setembro de 2013

JOSÉ MARIA FONTES: Um dos precursores a cativar do Modernismo em Sergipe ao lado de Abelardo Romero.

Por: Allan de Oliveira.
Contato: allantbo@hotmail.com



José Maria Fontes nasceu em Riachuelo, município de Sergipe, em 26 de junho de 1908. Na cidade onde nascera iniciou seus estudos, e, posteriormente, estudou em Aracaju o que hoje chamamos de Ensino Médio.

Na capital do Estado, o autor exerceu as atividades de jornalista, fundando e dirigindo alguns jornais, a de funcionário público na área de saúde e a de professor de inglês. Fez crítica cinematográfica na revista Renovação e no jornal A República.

Quanto aos seus poemas eles demonstravam influências do Modernismo, ao serem notados o uso de versos brancos, e a influência do poeta humanista de procurar passar em seus poemas os problemas sociais.

Sabe-se que ele publicou poucos livros e que muitos dos seus poemas são inéditos.

Foi um dos realizadores da “Noite da poesia moderna” que aconteceu no Cinema Guarany em 1929.


José Maria Fontes faleceu em Aracaju em agosto de 1994.

Ela

Vista de olhos fechados
Entre o sono e a vigília,
Essa ideal desejada
Toda aberta em sorriso.

Que mulher, e onde a vi,
Não sei, é terna, e sorri sempre
Se é a que me transmite os poemas,
Jamais o hei-de descobrir.

Quando a fitei, num frio anelo
De aprofundá-la, a sua face
Vi entristecer, e a dissipar-se
Voltava ao nada de onde viera.

À porta de um sonho incerto,
Não entra nem sai. Parada,
Me olha, branca, loura e jovem. Perto
E longe – Ó quão longe – a impossível amada.

(Trinta poesias curtas / 1959)

In: A Poesia Sergipana no Século XX de Assis Brasil, p. 72.


Símbolo

Sabemos que haverá um dia intimidade
Entre todas as gentes:
- Ideias lançadas como sementes, para uma colheita certa,
A reunião de inexprimíveis pensamentos
Em um só compreensivo sentimento.

- Um clarão de fé, fraternal e vivo, jubiloso e grave, como
A voz dos galos, aclamando, ainda no escuro,
A infalível alvorada...
Todos estão despertos,
Os das cidades, e das fazendas, os das montanhas ou dos vales,
E o eterno sinal se multiplica
Para acordar a terra, em toda terra...

Será como o anúncio mundial de uma nova criação,
Por mil vozes de amor, impondo a Paz e o Bem.

(O realismo social na poesia em Sergipe / 1960)

In: A Poesia Sergipana no Século XX de Assis Brasil, p. 73.


OBRAS:

* Versos (1952)

* Sonho e Realidade (1955)

* Trinta Poesias Curtas (1959)

REFERÊNCIAS:

BRASIL, Assis. A Poesia Sergipana no Século XX. Rio de Janeiro. Imago Editora, 1998.

Infonet – O Centenário de um modernista – Por: Luíz Antônio Barreto. Disponível em: < http://www.infonet.com.br/luisantoniobarreto/ler.asp?id=74682&titulo=Luis_Antonio_Barreto>. Acesso em: 07 ago. 2013.

Wagner Lemos: Autores sergipanos por ordem alfabética pelo sobrenome de A-G. Disponível em: < http://www.wagnerlemos.com.br/autores.htm>. Acesso em: 05 ago. 2013.

Noite da Poesia Moderna de 1929 em Aracaju / SE

Cinema Guarany (Fonte da foto: http://aracajuantigga.blogspot.com.br/2010/05/cinemas-de-aracaju.html ) Por: Allan de Oliveira Con...